Han kang: a arte como escudo contra a escuridão

A escritora coreana Han Kang, recém-nomeada detentora do Prêmio Nobel de Literatura, emergiu em Barcelona como um farol de esperança, defendendo a arte e a literatura como pilares essenciais para a resiliência humana em tempos de crescente incerteza.

Um olhar através da tempestade

Um olhar através da tempestade

Em sua primeira participação em Sant Jordi, a festa catalã que celebra o livro e a literatura, Kang reafirmou a capacidade da criação de nos ancorar na vida, em contraposição à obsessão pela morte que permeia a atualidade. Um sentimento visível em seus olhos, conforme relatou, ao caminhar pelas ruas adornadas com livros e a luz do sol.

“A humanidade vive em uma época escura”, diagnosticou com frieza, ecoando a sombra de um passado marcado pela repetição de conflitos e pela erosão da esperança. Mas, paradoxalmente, ressaltou, é precisamente nesse cenário sombrio que a arte e a literatura se tornam ferramentas de sobrevivência, “ensinando-nos a ser mais sensíveis, tolerantes e empáticos”.

Kang, que ainda se reaproxima da vida após o reconhecimento mundial, revelou que sua próxima obra será profundamente pessoal, focada em sua família – um segredo guardado a sete chaves, que, segundo ela, “destruiria a magia” se divulgada antecipadamente.

A escritora, que retornava à vida literária após anos como livreira em Seul, demonstrou uma postura crítica diante do avanço da ultradireita e dos horrores das guerras globais. “As pessoas que estão em meio a conflitos lutam para sobreviver, cuidando de suas feridas”, observou. “Enquanto mantivermos o coração aberto, podemos continuar a viver. A esperança é frágil, mas deve ser abraçada com propósito.”

Apesar do Prêmio Nobel, um