Crack no brasil: consumo de metanfetamina dobra em década e mercado atinja valor recorde
O Brasil se torna o segundo maior consumidor de metanfetamina no mundo, ultrapassando os Estados Unidos, segundo dados alarmantes divulgados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em parceria com a Organização Mundial de Máfia (OMM). A análise de efluentes de estações de tratamento de água revela um aumento exponencial no consumo da substância, quase o dobro da década anterior.
Escalada do crack: um panorama desolador
Relatórios recentes da Agência de Inteligência Criminal Australiana (Acic) apontam para um pico histórico no uso de metanfetamina – conhecida como ‘ice’ – desde 2016. O consumo disparou de 8.405 toneladas para 15.971 toneladas, um salto preocupante que reflete uma crise de saúde pública em expansão. A situação se agrava com o aumento concomitante no consumo de cocaína, ketamina e heroína, especialmente em áreas urbanas.
A Abin aponta para a entrada de novas substâncias sintéticas no mercado, impulsionadas pela criminalidade organizada. Heather Cook, diretora-executiva da Acic, enfatiza a necessidade de ‘respostas coordenadas e sustentadas’ para combater o problema. As estatísticas são claras: não são apenas números, mas sim a realidade de hospitais, lares e comunidades afetadas pela devastação causada por essas drogas.

Mercado ilícito em ascensão
O valor total do mercado de metanfetamina, cocaína, MDMA e heroína no Brasil saltou de R$ 11,5 bilhões em 2023-24 para um recorde de R$ 14,3 bilhões. A metanfetamina, responsável por 77% desse volume, demonstra a sua importância no cenário do crime organizado. Em algumas cidades, como Sydney, o uso de ketamina atingiu níveis alarmantes, evidenciando a diversificação das drogas disponíveis.
Apesar da diminuição no consumo de cannabis – a droga mais utilizada no país – a situação é sombria. A crescente sofisticação dos criminosos, que se aproveitam de rotas de tráfico internacionais e da produção local de heroína, exige uma ação imediata. A inteligência das forças de segurança aponta para a influência de organizações transnacionais, altamente inovadoras e persistentes na manutenção do abastecimento. A Score, órgão internacional que monitora o uso de drogas em países como Estados Unidos, Chile, Bélgica e Holanda, confirma que o Brasil ocupa a quinta posição global no consumo combinado dessas substâncias, atrás apenas de EUA, Chile, Bélgica e Holanda.
O aumento de 26,8% no consumo total das drogas – com destaque para a metanfetamina (23%), heroína (23%) e cocaína (20%) – é um sinal de alerta. A complexidade do problema exige uma estratégia multifacetada, envolvendo ações de prevenção, repressão e tratamento. O cenário atual demonstra que o Brasil não é apenas um alvo, mas um ponto de convergência para o tráfico internacional de drogas.
