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A melancolia do triunfo: inglaterra e a busca de uma saudade

A saga inglesa no Mundial de 2022 foi, acima de tudo, um exercício de paciência e resignação. Uma jornada marcada por ecos de derrotas passadas e a persistente sensação de que o ‘dia’ nunca chegaria.

O som de ‘maybe’ e a amargura da quase-vitória

As canções dos “Three Lions”, com suas letras carregadas de anseio, ecoaram nos estádios enquanto a equipa de Harry Kane se aproximava do inédito final. ‘It was nearly complete, it was nearly so sweet’ – uma melodia que capturava a esperança tênue, a promessa frágil de um triunfo que, no fim, se desfez em decepção.

A vitória sobre o México, um grito de guerra ensurdecedor no Azteca, tornou-se um breve lampejo de otimismo, mas a derrota para a Argentina expôs a vulnerabilidade subjacente. A defesa, tão cuidadosamente arquitetada por Tuchel, desintegrou-se sob a pressão argentina, um padrão que se repete em momentos cruciais da história recente da seleção.

Saudade e a incerteza do futuro

Saudade e a incerteza do futuro

A palavra portuguesa ‘saudade’ – essa mistura complexa de nostalgia e anseio – parece ser um reflexo da alma inglesa. Uma dor doce por oportunidades perdidas, por momentos que poderiam ter sido, mas não foram. A vilificação de Beckham, após o desastre de 1998, ilustra a intensidade dessa reação, um luto coletivo por uma esperança desfeita.

O treinador alemão, Tuchel, enfrenta agora a crítica, um reflexo da incapacidade de transformar a vantagem num resultado concreto. A incapacidade de controlar o jogo após uma vantagem inicial, um erro recorrente que assombra a equipa. E o Mumsnet, com suas opiniões inflamadas, já está a pintar um quadro sombrio da situação.

Messi e o legado da melodia

Messi e o legado da melodia

A genialidade inegável de Lionel Messi, a força motriz por trás da campanha argentina, oferece um contraste marcante com o ‘Wonderwall’ que embalou as esperanças inglesas. A longevidade de Messi, uma anomalia no futebol moderno, sustenta a esperança de um último ato de glória. Mas a hiperssexualização do Mundial de 2026, as injustiças de visto e o ataque à integridade do torneio por figuras como Trump e Infantino, representam desafios consideráveis para o futuro.

Apesar de tudo, a vitória sobre o México, com a sua intensidade e paixão, ficará para sempre como um marco na história inglesa. Um momento de celebração, de orgulho, mas também de lembrança de que a jornada futebolística é, acima de tudo, uma dança complexa de triunfos e derrotas. E que, no final, o ‘dia’ pode nunca chegar.