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Expectativas exageradas: a farsa inglesa e o perigo da ilusão política

O futebol inglês, com sua história de fracassos em Mundiais, alimenta uma obsessão tóxica: a crença de que a vitória é um direito, uma manifestação de destino. A recente qualificação, com um triunfo controverso sobre a Dinamarca, reacendeu essa chama, mas a realidade, como sempre, foi implacável.

A armadilha da ‘casa’ do jogo

A Inglaterra, paradoxalmente, carrega o fardo de uma expectativa irrealista, a de ser a nação invencível do futebol. Essa ambição, enraizada em um complexo de superioridade, resulta em decepções monumentais, um ciclo vicioso de esperança e frustração. É um comportamento compreensível, talvez, na cultura do ‘home advantage’, mas que se traduz em uma pressão insustentável para as seleções.

Colin Montgomery, de Edimburgo, aponta com perspicácia a necessidade de um ‘novo jogo político’, um rompimento com a lógica do desespero e da polarização. Não basta ‘rezar’; é preciso repensar as bases do debate e da ação governamental.

A política como uma aposta perigosa

A política como uma aposta perigosa

O mesmo erro de julgamento, a crença utópica em soluções rápidas e fáceis, permeia o cenário político. A perspectiva de Andy Burnham, por exemplo, já é acompanhada de uma lista de desejos obsessiva, uma busca frenética por resultados imediatos – um reflexo da frustração e do ressentimento generalizado.

Essa mentalidade alimenta o ‘baked-in intransigência’, a recusa em ceder, em comprometer, em buscar um terreno comum. É um caldo de cultura onde a polarização se intensifica, aprofundando as divisões sociais e políticas. A situação é alarmante, e exige mais do que votos – exige uma mudança radical na forma como abordamos os desafios nacionais.

A solução não reside na esperança, mas na pragmática. A política, como o futebol, não é um espetáculo; é uma luta constante, com vitórias e derrotas, sucessos e fracassos. É preciso aceitar as limitações, reconhecer a complexidade das questões e buscar soluções realistas, mesmo que imperfeitas.