Alemanha dispara gastos defensivos em 27%, ante cenário de instabilidade

Berlim, 29 de abril – A Alemanha anunciou um aumento drástico de 27,9% nos seus gastos com defesa para 2027, elevando o orçamento de 82,7 bilhões de euros deste ano para impressionantes 105,8 bilhões no próximo. Uma jogada audaciosa que reflete uma nova realidade geopolítica.

Investimento recorde impulsionado por kiev e preocupações com moscou

O projeto orçamentário, apresentado hoje pelo governo alemão, prevê uma partida especial de 27,5 bilhões de euros provenientes do fundo reservado para as Forças Armadas, um salto de 7,8% em relação a 2026. Essa injeção maciça de recursos, que deverá estar disponível a partir de 133,3 bilhões de euros para 2027, se justifica, em grande parte, pelo apoio contínuo a Ucrânia – tanto militar quanto humanitário – com mais de 11 bilhões de euros.

“Nosso objetivo é garantir que possamos nos defender da agressão russa e que a Europa, e a Alemanha em particular, demonstrem capacidade de dissuasão e defesa”, declarou o vice-canceler e ministro das Finanças, Lars Klingbeil, em uma coletiva de imprensa. É uma retórica forte, quase desafiadora, que ecoa a crescente preocupação com a instabilidade na região.

Plano de investimento de longo prazo: rumo a 3,5% do pib

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O plano de defesa alemão, orquestrado pelo ministro da Defesa Boris Pistorius, estende-se até 2030, com projeções de gastos de 149,9 bilhões de euros em 2028 e 158,9 bilhões em 2029, visando atingir o objetivo de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos militares, um compromisso formal com a OTAN. A meta é ambiciosa, mas a Alemanha, sob a liderança do chanceler Friedrich Merz, demonstra determinação.

O aumento não se limita ao orçamento corrente. O governo alemão pretende expandir significativamente o contingente militar, elevando o número de soldados ativos de aproximadamente 186.000 para pelo menos 260.000 até meados da próxima década. Paralelamente, a reserva armada deverá crescer de 70.000 para 200.000 efetivos. Uma transformação completa das Forças Armadas alemãs, um projeto ambicioso e, admitamos, necessário.

“Os acontecimentos do último ano, e a crescente tensão com a Irã, evidenciam a importância de investir na nossa capacidade de defesa”, afirmou Merz. “Queremos poder nos defender sem ter que nos defender. O orçamento reflete essa realidade.” A Alemanha, aparentemente, aprendeu da história e não pretende ser uma vítima passiva.