Ccu argentina: a sustentabilidade como pilar central do negócio
A CCU Argentina, gigante do setor de bebidas, redefine o conceito de responsabilidade empresarial ao integrar a sustentabilidade em todas as etapas de sua operação. Juan Pablo Barrale, gerente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da empresa, revelou em entrevista como a busca por um modelo de negócio circular e socialmente responsável se tornou um motor de crescimento estratégico.
Recuperadores urbanos: uma parceria essencial para a economia circular
Em um cenário onde a gestão de resíduos se torna cada vez mais urgente, a CCU Argentina aposta na formalização e fortalecimento dos recuperadores urbanos. Através da iniciativa “Recuperadores”, criada em 2011 em parceria com a Fundação Avina e a Danone, a empresa apoia 5.800 trabalhadores em 40 cidades, conectando-os a 43 cooperativas e garantindo a comercialização de seus materiais a preços justos. Apenas para se ter uma ideia do impacto, anualmente são coletadas 17 mil toneladas de recicláveis, com destaque para as 2 mil toneladas de PET – um volume que demonstra o potencial da economia circular.
O programa vai além da coleta, oferecendo capacitação, formação e melhores condições de trabalho, transformando a realidade de milhares de famílias.

Água: um recurso precioso a ser protegido
A gestão responsável da água é um imperativo para a CCU Argentina, considerando a natureza de seus produtos – cervejas, águas saborizadas, vinhos e sidras. A empresa adota uma estratégia baseada em três pilares: eficiência, conservação e acesso. Em termos de eficiência, a redução do consumo de água por litro produzido é notável: de 9 litros há uma década, para menos de 3 litros atualmente. A meta ambiciosa para 2030 é reduzir em 60% o consumo em relação a 2023.
A Reserva Villavicencio, em Mendoza, com seus 60 mil hectares e 45 humedales, é um exemplo emblemático da preocupação da CCU com a conservação. A empresa não apenas protege a biodiversidade local, mas também participa do Fundo do Agua Río Mendoza, trabalhando em conjunto com outros atores privados e o governo para regenerar a bacia hidrográfica. Essa iniciativa demonstra que a proteção ambiental não é um custo, mas um investimento no futuro.
O acesso à água potável é outra prioridade. Através de parcerias com o Banco de Alimentos e outras organizações, a CCU instala filtros em comunidades carentes, beneficiando mais de 1,5 milhão de pessoas anualmente. Uma ação que, vale ressaltar, não é imposta por regulamentação, mas fruto de uma consciência empresarial.

Metas ambiciosas e um compromisso de longo prazo
A CCU Argentina estabeleceu 30 objetivos para 2030, abrangendo os pilares de “Planeta” e “Pessoas”. Entre eles, destacam-se a busca pelo 100% de embalagens recicláveis com, no mínimo, 50% de material reciclado, a eliminação de resíduos nas plantas, a redução de emissões de carbono e o aumento do uso de energias renováveis. A empresa não se limita a agir isoladamente; busca a colaboração com a concorrência e outros atores do setor, reconhecendo que os desafios ambientais e sociais são compartilhados e exigem soluções conjuntas.
“Ninguém nos exige isso, é uma autoexigência que as empresas temos”, afirmou Barrale, ressaltando a responsabilidade do setor privado em construir um futuro mais sustentável. A CCU Argentina, ao colocar a sustentabilidade no centro de seu modelo de negócio, demonstra que é possível aliar rentabilidade, crescimento e responsabilidade ambiental – um legado que transcende o lucro e impacta positivamente a sociedade e o planeta.
