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Ciclone avança: alertas laranja e amarela em alerta máximo no país

O país se prepara para enfrentar um dos maiores desafios climáticos dos últimos tempos: a ciclogénese. O Serviço Meteorológico Nacional (SMN) emitiu alertas laranja e amarelo para vastas regiões, prenunciando um início de abril marcado por tempestades intensas, ventos fortes e uma instabilidade atmosférica que se anuncia como a mais severa desde a Semana Santa.

Impacto devastador no litoral e áreas centrais

A formação e intensificação de um centro de baixa pressão, o fenômeno conhecido como ciclogénese, tem como epicentro o leste do território nacional. A partir de segunda-feira, a chegada de frentes de chuva, originárias do norte e oeste, se concentrará com força no Litoral Centro-Sul e, em seguida, no norte da província de Buenos Aires e na Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA). As projeções indicam que Santa Fé, Entre Ríos e o nordeste de Buenos Aires podem acumular até 240 milímetros de chuva em apenas dois dias – uma quantidade alarmante que agrava o risco de inundações.

Os modelos de previsão internacional, convergindo em suas análises, alertam para um volume de precipitação superior a 50 milímetros em Buenos Aires, com picos entre 150 e 240 milímetros em áreas de Entre Ríos, Santa Fé e no nordeste da província de Buenos Aires. A gravidade da situação justifica plenamente a emissão de alertas pelo SMN, com áreas de Santa Fé, Entre Ríos, Corrientes, Santiago del Estero, Chaco, Formosa e Jujuy sob aviso amarelo, enquanto o centro e norte de Santa Fé, o norte de Entre Ríos e o sul de Corrientes enfrentam o alerta laranja, indicando um impacto ainda mais severo.

Ventos fortes e o setor agropecuário em risco

Ventos fortes e o setor agropecuário em risco

As consequências da ciclogénese vão além da precipitação. A costa leste e o noreste da província de Buenos Aires estarão sujeitas a rajadas de vento que podem atingir entre 50 e 70 km/h, com valores superiores a 100 km/h em zonas costeiras e no estuário exterior do Rio da Prata. O setor agropecuário, já fragilizado por solos saturados, enfrenta um cenário de risco elevado de inundações em áreas baixas.

O AMBA, particularmente setores do sul e norte do conurbano, como Ezeiza e Escobar, já se recuperam de eventos extremos recentes. Na semana passada, tempestades torrenciais despejaram até 70 milímetros de água em uma hora, acompanhadas de granizo, queda de árvores e feridos. O nível do Rio da Prata chegou a beirar os 3 metros nos portos metropolitanos neste sábado, e a repetição desse cenário é uma possibilidade real durante a próxima maré alta.

O que esperar para a capital e o restante do país

O que esperar para a capital e o restante do país

Para a Área Metropolitana de Buenos Aires, o domingo se assemelha ao sábado, com temperaturas baixas e pouca chance de chuva. A partir de segunda-feira, no entanto, a instabilidade gerada pela ciclogénese se manifestará em forma de precipitação, com maior probabilidade durante a tarde e noite. O vento forte, com rajadas que podem ultrapassar os 59 km/h, adiciona outra camada de preocupação. A partir de quarta-feira, um frente fria impulsionará o sistema para o norte, permitindo uma recuperação gradual da estabilidade na região central. As temperaturas máximas na zona pampeana descenderão para entre 18 e 22°C, e as precipitações se tornarão escassas.

Enquanto a Patagonia manterá sua estabilidade, o norte argentino registrará apenas chuviscos isolados, como um último eco do sistema. A cifra que pulsa em cada alerta é clara: a ciclogénese não é apenas um evento climático, mas um desafio que exige atenção redobrada e medidas preventivas urgentes.