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Cientista brasileiro desvendou segredos da lua há décadas; agora, artemis ii revive a saga

Enquanto o mundo acompanha a Artemis II, a missão que desafia os limites da exploração espacial ao levar humanos à face oculta da Lua, uma figura brasileira pouco conhecida emerge do passado: Marco Antonio Quijano Rico, um cientista colombiano que, em 1969, ajudou a decifrar os primeiros segredos do nosso satélite natural, trazidos pela Apollo 11.

Um método inovador para analisar o solo lunar

Quijano, nascido em Sogamoso, Boyacá, recebeu apenas dois gramas dos 22 quilos de solo e rochas coletados pelos astronautas da Apollo 11. Com uma visão que antecipou a necessidade de análise química precisa, ele desenvolveu um método inovador para determinar a composição de elementos como lítio, boro e cloro, elementos essenciais para compreender a origem e a evolução da Lua.

A escolha de Quijano para este papel crucial não foi aleatória. Na época, ele era um doutorando no prestigiado Max Planck Institut für Chemie, em Maguncia, Alemanha, e sua expertise em métodos de análise química o tornou o candidato ideal para desvendar os mistérios da poeira lunar. “Inicialmente, as amostras foram levadas diretamente a um laboratório em Houston por precaução, devido ao medo de contaminação por microrganismos desconhecidos. Após a confirmação da ausência de vida, uma porção foi enviada para Maguncia,” recorda o cientista.

O processo, realizado em um equipamento construído especialmente para a análise, envolveu técnicas complexas como o bombardeamento das amostras com nêutrons em um reator nuclear e a destilação com ácido sulfúrico, revelando informações valiosas sobre a composição química do solo lunar. Os resultados, publicados na renomada revista Science em 1970, desafiaram as expectativas e contribuíram significativamente para o avanço do conhecimento científico sobre a Lua.

Apesar do ceticismo inicial de alguns colegas, a validação dos resultados por cientistas nos Estados Unidos solidificou a importância do trabalho de Quijano. Seus estudos demonstraram que a composição química do solo lunar era notavelmente semelhante à das rochas terrestres, um achado que reverberou na comunidade científica internacional e consolidou seu legado.

Hoje, Quijano mantém uma pequena amostra de pó lunar em uma esfera de quartzo, um testemunho tangível de sua participação histórica na exploração espacial. Retornando ao Brasil em 1970, liderou por duas décadas o Laboratório de Investigaciones sobre la Química del Café, e atualmente se dedica à produção de vinho em seu vinhedo em Nobsa, Boyacá. “É uma prova fehacente de que os astronautas do Apolo 11 pisaram na Lua,” afirma o cientista, cuja contribuição pioneira ressurge com a retomada da exploração lunar pela Artemis II.

A importância do legado científico

A importância do legado científico

A retomada da exploração lunar com a missão Artemis II reacende a admiração pela Lua e valoriza o trabalho de pioneiros como Marco Antonio Quijano Rico, que, há mais de meio século, pavimentaram o caminho para o conhecimento que hoje nos permite vislumbrar um futuro onde a presença humana na Lua e, eventualmente, em Marte, se torna uma realidade. Seu método, embora obsoleto, lançou as bases para a compreensão da composição lunar, e sua história serve de inspiração para as futuras gerações de cientistas e exploradores.