Congresso gasta milhões em viagens: o que os deputados estão visitando?
Ouro Preto, Ouro Branco, Ouro… de gastos. O Congresso Nacional destinou mais de 8 milhões de euros a viagens em 2025, um valor que, apesar de ligeiramente inferior ao ano anterior, reacende o debate sobre a utilização de recursos públicos em despesas de representação. A persistência desse montante, mesmo após um aumento de 20% em 2024 em relação a 2023 (ano eleitoral), levanta questionamentos sobre a necessidade e a proporcionalidade dessas viagens.

Viagens nacionais e internacionais: uma análise detalhada
De acordo com dados oficiais da instituição, 4,67 milhões de euros foram direcionados para viagens no território nacional, enquanto 3,58 milhões foram gastos em atividades internacionais, com destaque para visitas a outros países e participação em fóruns globais. A soma total de 8,26 milhões de euros representa uma redução marginal em comparação com os 8,39 milhões de euros investidos em 2024.
Um detalhe que chama a atenção é o custo médio por deputado, que se fixou em 23.596 euros. Mas o que realmente justifica essa quantia?
Os gastos com viagens nacionais incluem uma fatura de quase 4,7 milhões de euros, que engloba desde despesas de gestão até bilhetes pendentes de uso. A maior parte desse valor – cerca de 3 milhões de euros – está relacionada à atividade parlamentar, ou seja, os deslocamentos entre Brasília e as diferentes circunscrições. Ademais, há 902.700 euros destinados a viagens de cunho político e 10.920 euros para viagens oficiais em nome da Câmara.
O que realmente pesou no orçamento de 2025 foram as viagens internacionais. Quase 200 viagens oficiais foram realizadas, a grande maioria fora do país. A participação em eventos e fóruns internacionais consumiu 3,5 milhões de euros. A presidência de Portugal da Assembleia Parlamentar da União pelo Mediterrâneo, com a organização de diversos eventos, contribuiu significativamente para esse valor. Por exemplo, a reunião do Fórum sobre o futuro do Mediterrâneo em Granada gerou uma despesa de 953.382 euros. A Cúpula de Presidentes em Málaga custou 680.773 euros e a participação em Lanzarote, 333.960 euros.
Além disso, as comissões parlamentares também se fizeram presentes em viagens custosas. A Comissão de Assuntos Exteriores, a de Igualdade e a de acompanhamento do Pacto contra a violência de gênero se destacaram. A visita de cinco dias à China, para celebrar o 50º aniversário das relações diplomáticas, consumiu 119.016 euros. Uma missão de cinco dias a Nova Iorque, para a sessão da ONU sobre a condição social e jurídica da mulher, custou 107.594 euros.
Até mesmo a Comissão de Indústria e Turismo, liderada por Inés Granollers, contribuiu para o gasto, com viagens a Caravaca de la Cruz e Cádiz, no valor total de 6.035 euros. E, em um gesto que pode parecer paradoxal, a Câmara investiu 9.750 euros em um curso virtual sobre técnica legislativa para países da América Latina e do Caribe.
A persistência desses gastos, em um contexto de desafios econômicos e sociais, exige uma reflexão sobre a priorização de recursos e a responsabilidade dos representantes eleitos. A transparência e a justificativa detalhada de cada despesa são elementos essenciais para garantir a confiança da população e a legitimidade do poder legislativo.
O valor total gasto em viagens pelo Congresso Nacional em 2025, apesar da pequena redução, permanece um lembrete contundente: o dinheiro público não é inesgotável, e cada euro gasto deve ser justificado com clareza e responsabilidade.