Corvetto resigna da onpe, ampliando crise eleitoral no peru
A saída abrupta de Piero Corvetto, chefe da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), escandaliza o processo eleitoral peruano, já em rota de colisão devido a falhas logísticas alarmantes na primeira volta.
Desorganização sistêmica e denúncias criminais
A renúncia, impulsionada por atrasos críticos na distribuição de materiais eleitorais em Lima Metropolitana – afetando mais de 55.000 eleitores –, desencadeou uma investigação da Junta Nacional de Justiça (JNJ) e acusações formais da Procuradoria do Jurado Nacional de Eleições (JNE). Corvetto e outros quatro funcionários foram formalmente denunciados por crimes contra o direito de sufragio e omissão de deveres funcionais.
Apesar de tentar justificar os problemas com um “erro logístico extraordinário”, a pressão política e as evidências de irregularidades no transporte de votos – incluindo a descoberta de caixas perdidas em programas de televisão – minaram a sua defesa. A postura agressiva de Rafael López Aliaga (Renovação Popular), que exige a sua prisão imediata, demonstra a gravidade do cenário.

A luta pela segunda volta e a incerteza persistente
A disputa pela segunda volta, crucial para definir os candidatos a enfrentar Keiko Fujimori, se intensifica a cada dia. López Aliaga, em um ataque retórico, descreveu Corvetto como um “criminoso”, acirrando ainda mais as tensões. A ONPE, por sua vez, implementa medidas para garantir a continuidade do processo, mas a análise de atas e a chegada de documentos de zonas rurais e do exterior geram uma atmosfera de incerteza.
Yessica Clavijo, secretária Geral do Jurado Nacional de Eleições (JNE), estima que os resultados presidenciais possam ser divulgados até meados de maio. No entanto, a complexidade da situação – com mais de 93% das atas computadas – reafirma a necessidade de cautela e rigor na apuração.
Corvetto, por sua vez, expressa esperança de que a sua saída contribuirá para restaurar a confiança dos eleitores. Mas a verdade é que o processo eleitoral peruano se encontra à beira de uma crise profunda, com a reputação da ONPE em cheque.
A JNJ aceitou a renúncia por unanimidade, sinalizando a urgência de sanar os problemas estruturais que levaram a este colapso. A situação exige mais do que simples desculpas; requer uma reestruturação completa para garantir a legitimidade do processo e a confiança da população.
