Crise no médio oriente acende alerta energético em taiwan: carbão volta?

Taipei enfrenta um dilema energético urgente. A escalada do conflito no Médio Oriente, com ataques recíprocos entre Israel e Irão, ameaça o fornecimento de gás natural, a principal fonte de energia da ilha, forçando o governo a considerar uma medida drástica: o retorno temporário da geração de eletricidade a carvão.

Governo flexibiliza regras para evitar escassez

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Em comunicado oficial, o Ministério de Assuntos Económicos (MOEA) justificou a decisão como uma medida paliativa, essencial para garantir a estabilidade do fornecimento em meio à incerteza geopolítica. A petrolífera estatal CPC Corporation, segundo a mesma fonte, necessita de “flexibilidade” na gestão do gás natural, e o aumento da geração a carvão surge como uma alternativa imediata, alinhada, segundo o governo, com “práticas comuns de países vizinhos”. A medida, embora temporária, levanta questões sobre o compromisso de Taiwan com a transição energética e a redução de emissões.

A administração de Taipower, a companhia elétrica estatal, planeia adquirir eletricidade de unidades da central de Mailiao, em Yunlin, a partir de maio, para mitigar o impacto. Contudo, o governo garante que o consumo anual de carvão não ultrapassará os níveis registados no ano anterior, buscando minimizar o impacto ambiental.

O ponto crucial reside na dependência de Taiwan do gás natural liquefeito (GNL) importado. Em 2023, o GNL representou mais de 47% da geração de eletricidade, superando o carvão (35,4%), as energias renováveis (13,1%) e a nuclear (1,1%). Catar, com 33,7% das importações de GNL, tornou-se um elo vulnerável, após os ataques a instalações gasísticas iranianas.

A instabilidade no Médio Oriente escancara a fragilidade da cadeia de abastecimento energético de Taiwan, que depende fortemente de importações marítimas. A Austrália (33,5%), os Estados Unidos (9,9%) e Papua Nova Guiné (7,9%) completam o quadro dos principais fornecedores, mas a volatilidade do mercado exige uma reavaliação urgente das estratégias de segurança energética.

Apesar do atual abastecimento interno de gás natural ser considerado “suficiente”, com todas as unidades operacionais a funcionar dentro do previsto, a sombra da crise paira sobre a ilha. A necessidade de recorrer ao carvão, mesmo que temporariamente, demonstra a complexidade de equilibrar a segurança energética com os objetivos de sustentabilidade, num contexto global marcado por conflitos e tensões geopolíticas.

A decisão de Taiwan de reativar a geração a carvão não é apenas um ajuste operacional; é um sintoma da crescente interdependência global e da vulnerabilidade dos sistemas energéticos face a eventos imprevistos. O preço da eletricidade, a estabilidade da rede e o futuro da transição energética taiwanesa estão agora inextricavelmente ligados ao desenrolar da crise no Médio Oriente.