Cuba afoga: apagões paralelos atingem quase 45% do território

A realidade insular de Havana se torna cada vez mais sombria. A União Elétrica (UNE) confirmou que, a partir de hoje, apagões simultâneos de proporções alarmantes – atingindo até 44% do território – serão a regra, não a exceção.

Crise energética e o legado da embargada

A intensificação do problema, que já demonstrava um impacto de mais de 40% no domingo, é um reflexo direto da fragilidade do sistema energético cubano. A chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin, com 100.000 toneladas de crudo em março, prometia alívio, mas a dependência exclusiva do produto refinado até abril revelou a profundidade da crise.

A equação é simples e dolorosa: capacidade de geração de 1.770 megawatts (MW) contra uma demanda máxima de 3.100 MW, resultando em um déficit de 1.330 MW. A situação é agravada pela inoperância de oito das 16 unidades termoelétricas, responsáveis por 40% do mix energético, devido a falhas e manutenções. Ademais, 40% do mix depende de motores a diesel e fueloil, parados desde janeiro por causa do bloqueio americano – uma ‘asfixia energética’ como o governo descreve com amarga ironia.

A ONU já qualificou a medida como uma violação do direito internacional. Mas a narrativa oficial se apega a fatores estruturais, como a obsolescência do sistema elétrico, e a um elemento coyuntural: o bloqueio petrolífero imposto pelos E.U. desde janeiro. É um cálculo frio, desprovido de soluções.

Um cenário desesperançoso

Um cenário desesperançoso

O déficit previsto para esta tarde é de 1.370 MW, um número que ecoa a precariedade do presente e a incerteza do futuro. A dependência de 100.000 barris de petróleo diários – apenas 40.000 produzidos internamente – expõe a vulnerabilidade da ilha. A busca por alternativas, como o apoio chinês em energia solar, é paliativa, não resolve o problema estrutural.

A realidade em palavras

O governo cubano tenta minimizar a situação, focando em números e justificativas. Mas a verdade é que a população enfrenta, mais uma vez, a falta de luz, a interrupção de serviços essenciais e a sombra de um futuro incerto. Não há promessas, apenas a conta a pagar.