Enfermeiro morre em palermo com dose maciça de fentanilo e propofol: uma onda de crise médica?
A comunidade médica argentina se encontra em choque após o falecimento de Eduardo Bentancourt, um enfermeiro de 44 anos encontrado morto em seu apartamento em Palermo, Buenos Aires. A cena, marcada pela presença de mais de 50 ampolas de medicamentos controlados, incluindo propofol e fentanilo, reacende o alerta sobre o uso indevido de anestésicos e a segurança no armazenamento de fármacos.
Um caso que reforça a sombra das “propofests”
A morte de Bentancourt ocorre em um contexto delicado, menos de um mês após o caso de Alejandro Salazar, anestesista encontrado morto em circunstâncias semelhantes. Salazar, cuja morte levantou a hipótese de festas privadas com uso de anestésicos – as chamadas “propofests” – lançou uma sombra sobre a ética médica e a regulamentação de medicamentos controlados. A investigação agora se estende para incluir o caso de Bentancourt, buscando conexões e possíveis padrões de desvio.
Bentancourt, natural de Gualeguaychú, Entre Ríos, havia se mudado para Buenos Aires há apenas um mês em busca de oportunidades de trabalho. Segundo seu perfil no LinkedIn, formou-se em enfermagem no Instituto de Enseñanza Superior María Inés Elizalde. A notícia de sua morte correu rapidamente pelas redes sociais, onde colegas e amigos expressaram sua dor e incredulidade com mensagens emocionadas. Uma postagem particularmente tocante de uma colega de trabalho, acompanhada de fotos, descreve a perda como “uma despedida inesperada” e celebra a memória de Bentancourt como “uma pessoa especial que deixou marca”.
O Alerta nas Redes Sociais: As mensagens de despedida nas redes sociais, carregadas de emoção e saudade, refletem o impacto da perda na comunidade de profissionais de saúde. O relato da colega de trabalho, em particular, ressalta a importância das relações humanas no ambiente profissional e a dor de perder um amigo e companheiro de trabalho.

Medicamentos hospitalares e investigações em curso
O departamento de Bentancourt foi encontrado com uma quantidade alarmante de medicamentos hospitalares, incluindo propofol, lidocaína, difenhidramina, dipirona, hioscina, fentanilo, diclofenac, clonazepam, midazolam, dexametasona, adrenalina, haloperidol, metoclopramida, diazepam, ketorolac, cloruro de potasio, ceftriaxona, penicilina e succinilcolina. Todos os itens foram apreendidos e estão sob custódia judicial para análise. A investigação, conduzida pela Fiscalía Nacional en lo Criminal y Correccional N°21, busca determinar as circunstâncias exatas da morte de Bentancourt, incluindo se ele estava sozinho no momento do falecimento e a origem dos medicamentos encontrados.
Paralelamente, as autoridades investigam o desvio de medicamentos do Hospital Italiano, que denunciou o desaparecimento de fármacos após a morte de Salazar. A causa da morte de Salazar, que também envolveu o uso de propofol e fentanilo, está sendo tratada como “averiguações de morte dudosa” pela Fiscalía Nacional en lo Criminal y Correccional N°6.
A investigação busca determinar se o caso de Bentancourt está relacionado às “propofests” ou a outros esquemas de comercialização ilegal de medicamentos controlados. A crescente preocupação com o desvio de anestésicos e a facilidade com que esses fármacos podem ser obtidos levantam questões urgentes sobre a segurança e a regulamentação no setor de saúde.
A morte de Eduardo Bentancourt, somada ao caso de Alejandro Salazar, expõe uma crise mais profunda que permeia o sistema de saúde argentino. A falta de controle sobre o armazenamento e a distribuição de medicamentos controlados, aliada à crescente demanda por anestésicos em ambientes não médicos, exige uma ação urgente por parte das autoridades para proteger a saúde pública e garantir a segurança dos profissionais de saúde.