Ex-conselheiro e médica sob escrutínio em caso dos lares e covid
A Justiça espanhola intensifica a investigação sobre os protocolos de encaminhamento hospitalar em lares de idosos durante a pandemia de Covid-19, convocando o ex-conselheiro sanitário da Comunidade de Madrid, Antonio Burgueño, e a médica María Teresa Vidán Astiz para depor esta semana. O caso, envolto em controvérsia e acusações de negligência, reacende o debate sobre a gestão da crise sanitária e o tratamento dispensado aos mais vulneráveis.
Burgueño: o plano falho e a discriminação
Antonio Burgueño, que ocupou o cargo de principal conselheiro de Ayuso nos primeiros meses da pandemia, em março de 2020, terá que prestar esclarecimentos na quarta-feira. Ele foi o responsável por elaborar o “Plano de Choque”, que previa a medicalização dos lares, medida que nunca chegou a ser implementada. Para a acusação particular, seu depoimento é crucial para entender a suposta discriminação contra os idosos residentes em lares da Comunidade de Madrid, que foram privados do acesso prioritário a hospitais.
Junto a Burgueño, também serão ouvidos Carlos Mur e Francisco Javier Martínez Peromingo, considerados os autores do chamado “Protocolo da Vergonha”, que obstaculizou o traslado de milhares de residentes doentes para hospitais públicos. Ambos já prestaram depoimento em outras investigações relacionadas ao caso.

Vidán astiz: a autora do protocolo contestado
María Teresa Vidán Astiz, médica apontada por Carlos Mur como a responsável pela redação do protocolo de não encaminhamento hospitalar, será ouvida na quinta-feira em Arganda del Rey. O caso em que Vidán Astiz será interrogada está ligado a uma denúncia coletiva coordenada pelas entidades Marea de Residencias e 7291: Verdad y Justicia, ampliando o alcance da investigação.
A complexidade da trama se revela na interconexão de diferentes procedimentos judiciais, cada um com suas particularidades e acusações. A questão central permanece: por que, em meio a uma pandemia que ceifou milhares de vidas, os lares de idosos foram deixados à margem do sistema de saúde, com consequências trágicas para seus residentes? As respostas, que emergem dos depoimentos e da análise de documentos, prometem lançar luz sobre as falhas e omissões que marcaram a gestão da crise sanitária na Comunidade de Madrid.
A convocação de Burgueño e Vidán Astiz representa um passo significativo na busca por justiça para as vítimas e suas famílias. A Justiça, agora, precisa desvendar a verdade por trás do protocolo que condenou à morte muitos idosos, em um contexto de medo, incerteza e desinformação.
