Incêndio devasta alentejo: 12 mortos e milhares desalojados
Uma tragédia abateu a região do Alentejo, em Portugal, com a devastação de mais de 6.600 hectares e a perda de 12 vidas. O incêndio, iniciado perto da antiga autoestrada N-340A, próximo ao restaurante Anita em Almocáizar, escalou rapidamente, impulsionado por ventos fortes e condições meteorológicas extremas.

A ‘bomba de relógio’ alentejana
O fogo, que se propagou a uma velocidade alarmante – 15 quilómetros em duas horas – foi descrito como uma ‘bomba de relógio’ pelo Presidente da Andaluzia, Juanma Moreno, devido à combinação letal de orografia acidentada, seca extrema e ventos de até 50 quilómetros por hora. Vários núcleos populacionais, incluindo Almocáizar, Bédar, Fuente del Albarico e o complexo turístico da zona, foram circundados pelas chamas.
A rápida propagação do fogo forçou a desvio da evacuação, com a principal estrada de saída de Bédar a ficar bloqueada desde o início da crise. A situação, complexa e urgente, exigiu a mobilização imediata de recursos, com a ativação do nível máximo de emergência do Plano Infoca e a presença da Unidade Militar de Emergência (UME).
A maioria das vítimas, 10 cidadãos britânicos e 2 belgas, foram localizadas no município de Bédar, em dois locais distintos. As investigações, em curso, concentram-se na causa do incêndio, com a principal hipótese a apontar para um cabo de madeira podre e partido, que caiu sobre a calçada, provocando a ignição da vegetação seca. A análise genética das vítimas, já concluída, está a ser cruzada com amostras familiares, muitos dos quais residem no estrangeiro.
As autoridades confirmam que a investigação continua aberta, com o objetivo de determinar as responsabilidades em caso de negligência. A contradição entre a existência de tensão no cabo e a sua origem privada, dada de baixa há décadas, é um ponto central da investigação. A Guardia Civil já detetou duas pessoas por desobediência às ordens de evacuação.
O retorno gradual das mais de 1.400 pessoas desalojadas está previsto, com mais de 600 já autorizadas a regressar aos seus lares. A estabilização definitiva da área afetada é o próximo passo, numa operação que exige cautela e rigor.