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Irão executa mais dois em meio a crise de protestos e acusações internacionais

Teerã – A escalada de violência no Irão atingiu um novo patamar neste domingo com a execução de Mohammadamin Biglari e Shahin Vahedparast, condenados por supostamente atacar uma instalação militar durante os protestos de janeiro. A ação, confirmada pela agência Mizan, do Poder Judiciário iraniano, intensifica as críticas internacionais e levanta sérias dúvidas sobre o devido processo legal no país.

O ataque e as acusações

Segundo o governo iraniano, Biglari e Vahedparast integram um grupo que, na noite de 8 de janeiro, teria invadido uma base militar com o objetivo de roubar armas. O arsenal, que continha 20 fuzis Kalashnikov e 1.800 cartuchos, permaneceu intacto, mas a tentativa, segundo as autoridades, demonstra a escalada da violência e a suposta coordenação com forças externas inimigas – uma narrativa recorrente em casos de segurança nacional no Irão.

As acusações, como de costume, apontam para a participação de “inimigos” do país, incluindo Estados Unidos e Israel, numa tentativa de desestabilizar o regime. A utilização dessas alegações, frequentemente sem provas concretas, levanta questões sobre a legitimidade dos julgamentos e a possibilidade de confissões forçadas, prática denunciada por organizações de direitos humanos.

Um contexto de repressão e disputas de números

Um contexto de repressão e disputas de números

As execuções ocorrem em meio a uma tensa atmosfera interna e regional, onde o governo iraniano endureceu sua resposta a protestos e ações consideradas ameaças à segurança do Estado. Com estes dois novos casos, o número de execuções relacionadas aos protestos de janeiro sobe para seis. Mas a realidade, segundo relatos independentes, é muito mais sombria.

Organizações como a HRANA, sediada nos Estados Unidos, estimam que mais de 7.000 pessoas morreram durante a repressão aos protestos, com cerca de 11.000 casos ainda em verificação. O número de detidos, segundo a mesma fonte, ultrapassa 53.000. A disparidade entre os dados oficiais e os relatos independentes evidencia a dificuldade de acesso à informação e a opacidade do governo iraniano.

A ONU já alertou para o aumento alarmante das execuções no Irão, que em 2023 atingiram 1.500 – um aumento de 50% em relação ao ano anterior. A escalada de violência e a falta de transparência no sistema judiciário iraniano colocam em xeque o respeito aos direitos humanos e a estabilidade da região.

O caso de Biglari e Vahedparast, mais do que uma simples punição por um ato isolado, representa um sintoma de um regime que se fecha cada vez mais, silenciando vozes dissonantes e perpetuando um ciclo de repressão e violência. A comunidade internacional precisa intensificar a pressão diplomática e exigir o fim das execuções e a garantia de um julgamento justo para todos os presos políticos.