Ortega aperfeiçoa o cerco: onu alerta para o desaparecimento da vida cívica em nicarágua

A repressão no Nicarágua atinge níveis alarmantes, segundo um relatório da ONU. O regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo intensificou o controle absoluto sobre o espaço cívico, transformando o país em uma ‘asfixia total’.

A impunidade como norma: relatora da onu denuncia crimes sem investigação

A impunidade como norma: relatora da onu denuncia crimes sem investigação

Gina Romero, relatora especial da ONU para a liberdade de reunião e associação, descreveu a situação como um ‘fechamento absoluto’ das liberdades fundamentais. A repulsa é a impunidade completa por crimes cometidos durante e após as manifestações de 2018 – uma lógica distorcida que perpetua a violência e a opressão.

Romero detalhou que o direito à protesto e à reunião pacífica não existe na prática. As autoridades, sob a égide de Ortega e Murillo, implementaram um sistema de perseguição sistemática, anulando qualquer forma de oposição e participação cívica. A ausência de investigações independentes e processos criminais contra os responsáveis por execuções extrajudiciais é um insulto à justiça e uma afronta aos direitos humanos.

Mais de 5.400 organizações civis foram extintas entre 2018 e 2024, incluindo grupos de mulheres, instituições religiosas e entidades de assistência social, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A erosão do tecido social é um ataque deliberado à pluralidade e à capacidade de resistência da população.

A vigilância extrema, a perseguição transnacional de opositores – como o caso recente do ex-major Roberto Samcam, assassinado no Costa Rica – e a instrumentalização do sistema judicial para silenciar vozes dissidentes são apenas alguns dos mecanismos utilizados pelo regime para consolidar seu poder. A tentativa de blindar os perpetradores através de leis de amnistia é uma manobra descarada para perpetuar a impunidade.

“A comunidade internacional falhou em responsabilizar o governo de Ortega”, lamentou Romero. A falta de sanções efetivas e a fragilidade do sistema multilateral permitem que a repressão continue impune. A história de Nicarágua se torna um alerta sobre os perigos da erosão dos direitos e a importância da defesa da democracia.”