Pemex aumenta produção, mas preços do petróleo mexicano persistem em dúvida
A Petrobras, gigante da energia nacional, anunciou hoje um aumento expressivo na produção de petróleo bruto, alcançando 1,705 milhões de barris por dia em abril – um salto de quatro mil unidades em relação ao mesmo período de 2019. Uma recuperação notável, sem dúvida, após anos de declínio.
Números que desafiam a narrativa
Mas, por trás dessa estatística, a realidade é mais complexa. O preço da mezcla mexicana de petróleo, negociada diariamente pela Pemex, oscilou em 97,5 dólares o barril, um valor que ainda paira sobre a incerteza do mercado. A estimativa da estatal, baseada em fórmulas regionais e cotações diárias, revela uma fragilidade subjacente.
A divisão do petróleo mexicano – Maya, Olmeca e Istmo – ilustra a dependência do país de um produto com menor rendimento em gasolina, o crudo pesado Maya. Essa característica, paradoxalmente, garante o fornecimento de energia para o consumo doméstico, um baluarte na economia interna.

Um cenário de contradições
Enquanto a produção cresce, a exportação de petróleo mexicano, medida em 140 mil barris por dia em 2020, ainda representa apenas 54% da produção total, com o crudo Maya liderando as exportações. A estatal detém 98,8% da produção nacional, um domínio que, apesar das recentes descobertas, não garante estabilidade para o setor.
A ABM (Associação de Bancos do México) apontou um aumento de quatro milhões de barris em relação a 2019, impulsionado por novos campos iniciados em 2019. No entanto, a volatilidade dos preços internacionais – e a crescente pressão por energias renováveis – continuam a lançar sombras sobre o futuro da Pemex e do petróleo mexicano. A estatal enfrenta um desafio: converter o aumento da produção em valor real, sem que os preços continuem a ser ditados por forças externas.
