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Petro questiona efetividade da ofac e acusa eua de perseguição política

Em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o presidente colombiano Gustavo Petro lançou uma crítica contundente à lista OFAC (Office of Foreign Assets Control), ferramenta dos EUA para combater o narcotráfico. A acusação? A lista se tornou um “sistema aberrante de controle político”, ineficaz contra os criminosos que, segundo ele, prosperam em paraísos como Dubai.

A lista ofac: ferramenta ou armadilha política?

A declaração de Petro, feita em sua conta no X (antigo Twitter), veio à tona em um momento delicado, com os Estados Unidos ameaçando sanções ao Brasil em resposta ao sistema de pagamentos instantâneos PIX. Petro aproveitou a oportunidade para defender a extensão do PIX para a Colômbia e questionar a validade da OFAC, expondo uma visão que tem ganhado força entre analistas: a lista, ao invés de desmantelar as redes criminosas, serve como instrumento para silenciar opositores políticos.

“A OFAC só serve para perseguir oposições políticas e domesticá-las no mundo”, afirmou o presidente, com a ferocidade que lhe é peculiar. A alegação de que os principais narcotraficantes burlam as sanções e encontram refúgio em Dubai, onde adquirem propriedades por valores irrisórios, como 4 mil dólares, é um golpe duro à imagem de eficácia dos EUA na luta contra o tráfico.

Conexões crimininais, acordos e a sombra de dubai

Conexões crimininais, acordos e a sombra de dubai

Petro não poupou nomes. Citou Ivan Mordisco, Chiquito Malo e a Segunda Marquetalia, alegando que estes líderes do narcotráfico vivem em Dubai, protegidos por acordos judiciais nos Estados Unidos. Essa proteção, segundo ele, permite que negociem exportações e expandam sua influência internacional, enquanto a Colômbia se vê impotente.

A menção ao magnicídio do senador Miguel Uribe Turbay, do Centro Democrático, adiciona uma camada de complexidade à situação. Petro sugere uma ligação entre o Cartel de Bogotá, suspeito de ordenar o crime, e o Cartel del Valle de Tenza, indicando uma teia de corrupção e impunidade que se estende por fronteiras.

Paz, guerra e o apelo por uma governança democrática

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Em um tom mais amplo, Petro defendeu a necessidade de uma “gobernanza global democrática” e rejeitou as guerras como solução para os conflitos. A experiência pessoal do presidente em zonas de conflito o leva a condenar a violência e a codícia, com a reflexão: “A energia contrária à vida tem a propriedade de ser um boomerang, por isso não se deve matar outra pessoa, vingar-se dela, ou odiar, porque isso mata o coração.” A referência à situação em Gaza e o pedido por justiça contra Benjamin Netanyahu demonstram sua postura engajada em questões globais.

Apesar das denúncias de envolvimento de autoridades e da proteção que alguns criminosos recebem no exterior, Petro celebrou a recente diminuição da taxa de homicídios na Colômbia, com uma queda de 36,4% em relação a 2025, embora ressalte a necessidade de garantir que essa tendência seja sustentável.

A Colômbia, em cruzilhamento. Enquanto o PIX brasileiro desafia o domínio financeiro americano e as acusações de Petro expõem as falhas da OFAC, uma verdade se impõe: a luta contra o narcotráfico exige mais do que sanções. Exige coragem para enfrentar a corrupção, justiça para as vítimas e, acima de tudo, a disposição de romper com velhos paradigmas.