Rdc: massacre em ituri revela a escalada da violência adf
Kinsasa – A brutalidade atingiu novos patamares no leste da República Democrática do Congo. Pelo menos 51 civis foram assassinados em um ataque perpetrado pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF) na noite de quarta-feira, em Bafwakoa, região de Ituri. A descoberta de oito corpos adicionais na selva circundante elevou o número de vítimas, expondo a extensão da violência e a fragilidade da segurança na região.
A escalada da violência e a impunidade
O coordenador da sociedade civil em Ituri, Dieudonné Lossa, relatou a terrível descoberta, confirmando que as ADF forçaram as vítimas a adentrar a floresta. Jean Baptiste Matadi, administrador de Mambasa, corroborou o aumento do número de mortos, evidenciando a persistência do terror imposto pelo grupo rebelde.
Apesar da presença das Forças Armadas congolesas (FARDC) na área, a atividade econômica permanece paralisada, com o centro comercial de Niania fechado. Essa situação reflete o clima de medo e insegurança que assola a população local, impedindo o retorno à normalidade.

Raízes ugandesas e vínculos globais
As ADF, milícia de origem ugandesa, operam nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, onde frequentemente lançam ataques e semeiam o terror. A complexidade do grupo reside em seus objetivos obscuros e na possível ligação com o Estado Islâmico (EI). Embora a ONU não tenha encontrado provas de apoio direto do EI às ADF, os Estados Unidos as designaram como uma organização terrorista afiliada ao grupo yihadista em março de 2021. A cooperação militar entre Uganda e a RDC, iniciada em novembro de 2021, não conseguiu conter a escalada da violência.
O leste da RDC mergulha em um ciclo de conflito desde 1998, alimentado por mais de uma centena de grupos armados e pela própria FARDC. A presença da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Congo (Monusco), apesar de seus esforços, não tem sido suficiente para garantir a segurança e a estabilidade na região. A perpetuação da violência demonstra a falha das estratégias atuais e a urgência de soluções mais eficazes.
A cifra é alarmante: 51 vidas ceifadas em um único ataque, mas o verdadeiro custo da violência se mede na desolação de comunidades inteiras, no futuro roubado de crianças e na perpetuação de um ciclo de terror que desafia a paz e a esperança no coração da República Democrática do Congo.