Sansal abandona a academia francesa, crivoado por insultos e oligarquias
Paris, 25 de abril – O escritor Boualem Sansal, ex-presidiário em Argel, acaba de anunciar a sua saída da Academia Francesa, em meio a uma crescente onda de ataques que o descrevem como um ‘criminoso’ e o forçam a buscar refúgio em outros territórios. A decisão, comunicada através do canal LCI, marca um ponto de inflexão na sua carreira e um reflexo da polarização política que assola a França.
Um exílio forçado pela crítica e pela desconfiança
Sansal, com 81 anos, descreveu a situação como insustentável, alegando que enfrenta ‘insultos’ constantes, em vez de debates construtivos. A declaração, carregada de frustração e um toque de excentricidade, revela um profundo descontentamento com o ambiente intelectual francês. A saída da Academia, palco de sua recente entrada, simboliza um abandono da França, um país que, para ele, se tornou um espaço hostil e sufocante.

A trilha de controvérsias e o movimento de bolloré
A transferência de Sansal para a Grasset, editora ligada ao empresário ultradireitista Vincent Bolloré, agrava ainda mais a polémica. A demissão do histórico diretor de Grasset, Olivier Nora, por motivos ideológicos, e o subsequente abandono da editora por centenas de escritores, segundo relatos, evidenciam a influência de Bolloré na direção da Grasset. Sansal denuncia ser instrumentalizado politicamente, associado a este magnata numa manobra para descalificá-lo.
Argélia, a prisão e o legado de críticas
A sua relação com a Argélia sempre foi tensa, marcada por suas críticas ao regime e pela subsequente detenção em novembro de 2024. O indulto concedido pelo presidente Tebboune em novembro de 2025 não parece ter dissipado as tensões, e a recente prisão reacendeu o debate sobre a liberdade de expressão e a interferência política. A situação expõe um complexo jogo de poder entre França e Argélia, com Sansal no centro da disputa.
