Sinaloa em chamas: operação americana desmantela rede de corrupção que sustentava os chapitos
A Operação ‘Phoenix’ da procuradoria de Nova Iorque desvenda um esquema de proteção estatal que, por anos, permitiu a ascensão meteórica do Cártel de Sinaloa, liderado pela família Guzmán. A revelação, baseada em testemunhos de ex-membros do cartel, expõe uma teia de suborno e colaboração que se estendeu por todos os níveis do governo.
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A corrupção como pilar do império
Testemunhos detalham como policiais, militares e políticos, desde o próprio gobernador Rocha Moya, atuaram como ombros para o cartel, facilitando o tráfico de fentanilo milionário para os Estados Unidos e garantindo a impunidade de suas operações. A rede se estruturava em falsas denúncias, detidas seletivas e a blindagem de ativos, revelando um sistema profundamente enraizado.
nA ilustração judicial americana, que mapeia essa rede de influência, foca na intervenção dos Chapitos nas eleições de 2021, com o roubo de urnas e a prisão de candidatos opositores, eventos que pavimentaram o caminho para a ascensão de Rocha ao poder. A manipulação eleitoral, aliada à proteção incondicional, consolidou o cartel como uma força dominante no estado de Sinaloa.
nA saga não é exclusiva de Sinaloa. Casos emblemáticos como o de Genaro García Luna, condenado nos EUA por corromper autoridades, e os desdobramentos em Nayarit e Tamaulipas, com ex-funcionários acusados de lavagem de dinheiro e proteção de criminosos, demonstram um padrão de colusão que assombra o México há décadas. As investigações em Guerrero revelam a enxurrada de envolvidos em casos como o sequestro dos estudantes de Ayotzinapa.
nA recente acusação contra Rocha Moya, impulsionada por autoridades americanas, representa um duro golpe para o cartel, que agora se vê diante de uma ameaça direta à sua sobrevivência. A ruptura do pacto com o governo estatal expõe a fragilidade do sistema de proteção e a crescente pressão para a responsabilização dos envolvidos.
nAs palavras de um dos entrevistados, um jovem de Culiacán, ecoam a desesperança: “Isso pode acabar com nós”. A Operação ‘Phoenix’ não apenas expõe a corrupção sistêmica, mas também representa um raio de esperança para a população mexicana, que clama por justiça e o fim da impunidade. A batalha contra o crime organizado no México, longe de ser um mero confronto militar, exige uma transformação profunda em suas estruturas políticas e institucionais.”n
