Trágica semana na fronteira: 3 assassinatos em 24 horas em santa cruz

Uma onda de violência varreu as fronteiras de Santa Cruz de la Sierra neste domingo, com três assassinatos em menos de 24 horas que geram apreensão e levantam questões sobre a estabilidade da região.

Buggie can-am e o silêncio do crime

O cenário mais recente e chocante é o da morte do piloto de rally José Pedro R., 28 anos, encontrado sem vida momentos antes de uma competição. A cena, localizada perto do aeroporto de Viru Viru, revelou um ataque brutal: uma vagoneta interceptou o piloto e um copiloto foi ferido, sendo socorrido para um hospital privado. As investigações da Fuerza Especial de Lucha Contra el Crimen (Felcc) apontam para ligações com Sebastián Marset, o notório narcotraficante.

Mas a violência não se restringiu ao mundo do automobilismo. Douglas Q.R., 42, um homem com histórico de tráfico de drogas, foi emboscado durante um campeonato de futebol em San Matías, uma localidade fronteiriça com o Brasil. Testemunhas relataram disparos precisos que ceifaram sua vida em questão de segundos.

O terceiro caso, em Puerto Quijarro, também próximo à fronteira, vitimou Luiz Antonio P.L., um brasileiro. Sua companheira de viagem sofreu ferimentos e foi encaminhada para Corumbá, no Brasil, para receber tratamento. O assassinato, marcado por disparos, expõe a fragilidade da segurança nas áreas de fronteira.

A sombra de marset e a falha do estado

A sombra de marset e a falha do estado

A criminóloga Gabriela Reyes, ex-diretora do Observatório de Segurança Ciudadana, não poupa críticas: “Estamos vendo as consequências de não desarticular a organização de Marset. Se o expulso, a estrutura persiste. Os detidos são peças de reposição, mas as lideranças permanecem intocadas.” A detenção de Marset, em março, deveria ter sido o ponto de virada, mas a reconfiguração do crime organizado demonstra uma capacidade alarmante de adaptação e resiliência.

O fiscal Geral Roger Mariaca convocou equipes especializadas para investigar os crimes e intensificar o combate à violência. No entanto, a ausência de prisões e a aparente impunidade geram um clima de desconfiança e incerteza. A complexidade da dinâmica criminal, aliada à vulnerabilidade das fronteiras, representa um desafio monumental para o Estado boliviano.

Uma fronteira em crise

Uma fronteira em crise

A simultaneidade desses assassinatos, a poucos meses da prisão de Marset, revela a fragilidade do controle estatal e a rapidez com que as organizações criminosas se reestruturam. A situação exige uma resposta coordenada e estratégica, que vá além da repressão e invista em ações de prevenção e desmantelamento das redes de narcotráfico. A inércia do Estado, evidenciada pela falta de detidos, alimenta a espiral da violência e coloca em risco a segurança de toda a população.