Ue acelera ajuda estatal para enfrentar crise em oriente médio

A Comissão Europeia anunciou hoje um novo quadro temporal para auxiliar os Estados-Membros a mitigar o impacto económico da escalada de instabilidade em Oriente Médio. A medida, batizada de ‘Marco Temporal de Ayudas Estatalaes pela Crise em Oriente Próximo’, visa fornecer um alívio imediato à pressão sobre os orçamentos nacionais e a viabilidade de diversos setores.

Subvencões de até 70% para custos energéticos e matérias-primas

O pacote inclui a possibilidade de conceder subvencões de até 70% sobre os custos adicionais relacionados à energia e matérias-primas, afetando diretamente a agricultura, o transporte marítimo e a pesca. A iniciativa, que se estende até finais de 2024, procura, essencialmente, dar resposta à disparada nos preços da eletricidade e do gás, que ameaçam a rentabilidade de empresas em todo o continente.

A vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, defendeu a necessidade de ações “proporcionais e proativas”, salientando que o mecanismo procura preservar a igualdade de condições no mercado único europeu. “Não podemos permitir que a crise em Oriente Médio cause um desequilíbrio económico generalizado”, afirmou Ribera, ressaltando a importância de apoiar os setores mais vulneráveis, como a produção agrícola, particularmente afetada pelo encarecimento dos fertilizantes.

Avião excluído do regime de apoio

Avião excluído do regime de apoio

Um ponto de atenção reside na exclusão do setor da aviação deste regime de ajuda. O Executivo comunitário justifica esta decisão, apontando que o impacto da subida dos preços não é comparável ao de outras atividades, em grande parte devido às coberturas de combustível a curto prazo existentes em muitas companhias aéreas. Bruselas argumenta que o setor já possui instrumentos específicos para gerir as disrupções, como a possibilidade de impor obrigações de serviço público em rotas essenciais.

Simplificação para indústrias intensivas em energia

Simplificação para indústrias intensivas em energia

Para facilitar o acesso às subvencões, a Comissão introduziu uma opção simplificada, que permite aos países calcular os importes com base em critérios como o tamanho das empresas e estimativas gerais de utilização de combustível. Este mecanismo limita o valor das ajudas a 50.000 euros por beneficiário, mas exige justificação detalhada dos custos efetivamente suportados acima dessa quantia. Uma medida que, sem dúvida, alivia a pressão sobre as empresas mais expostas à volatilidade dos preços.

Ajustes para indústrias intensivas em energia

O novo quadro também inclui ajustes nas normas de ajuda existentes para dar maior apoio às indústrias intensivas em energia. A intensidade máxima de ajuda para compensar os custos elétricos foi elevada de 50% para 70%, podendo cobrir até 50% do consumo eléctrico das empresas beneficiárias, sem exigir compromissos adicionais de descarbonização durante a vigência do instrumento.

Esta flexibilização, embora temporária, representa um passo crucial para evitar o colapso de setores vitais para a economia europeia. Ribera sublinhou que o objetivo é “superar o impacto imediato” da crise, garantindo a continuidade das atividades económicas, sem comprometer a trajetória de descarbonização. Uma equação complexa, que exige equilíbrio e pragmatismo.