Vallejo desvenda a oriente a través dos traduções de su obra
A escritora Irene Vallejo, especialista em história dos livros e das palavras, viu o seu trabalho traduzido para o árabe, um feito que ela descreve como uma ‘recompensa poética’ e um símbolo da capacidade dos livros de romper barreiras linguísticas e culturais.
Expansão global de ‘o infinito em um junco’
A tradução para o árabe de ‘O Infinito em um Junco’, obra que lhe rendeu o Prémio Nacional de Ensayo em 2020, e de outros dois ensaios, é, segundo Vallejo, “maravilhosa” e demonstra o potencial de um livro para dialogar com diversas realidades. A autora, que escreveu o livro no seu lar em Saragoça, inicialmente imaginava que alcançaria um público restrito de “loucos apaixonados por história e pelo Mediterrâneo”, mas a extensão da língua árabe – com as suas múltiplas formas de leitura e interpretação – garante que o livro terá um impacto muito mais amplo.
A jornada de Vallejo levou-a a El Cairo, onde partilhou a sua visão com o tradutor do árabe, Mark Gamal, e onde testemunhou a presença da sua obra em três edições árabes. O facto de um livro, concebido para um público específico, evocar tantas diferentes realidades é, para ela, um sinal da força da literatura.

Um ensaios híbrido e a reinvenção da narrativa
Vallejo descreve os seus trabalhos como “ensaios híbridos”, que combinam elementos da narrativa, da evocação, do autobiográfico, do jornalismo e da análise académica. A autora explora a natureza do ensaio como um género literário mais amplo do que a novela, capaz de incorporar uma variedade de técnicas e estilos.
A tradução de ‘Manifiesto pela Leitura’ e ‘O Futuro Recordado’ também estará disponível nas livrarias árabes a partir da próxima semana. A autora destaca a importância universal do apoio à leitura, enfatizando que a necessidade de preservar e promover a leitura é um desafio constante, que exige defesa e investimento.
A visita a Alexandria, uma cidade que, apesar de estar profundamente presente na sua obra através da antiga biblioteca, nunca fora visitada, foi um ponto alto da viagem. Vallejo descreve a biblioteca de Alexandria como “a mãe de todas as bibliotecas contemporâneas” e “o quilómetro zero de uma história dos livros que continua a evoluir”. A recente inauguração de uma nova biblioteca em Alexandria, um símbolo de resistência ao mito da biblioteca perdida, é, para a autora, um testemunho da perseverança humana e da paixão pelo conhecimento.
Apesar das suas dúvidas sobre o acesso universal aos livros, Vallejo mantém uma visão otimista, lembrando que nunca houve tantos livros publicados, tantas bibliotecas ou tantas pessoas alfabetizadas. A ameaça representada pelas redes sociais, com o seu ritmo frenético, exige vigilância e investimento na educação e no acesso à informação.
