O norte da alma: o renascimento do soul norte na jovem geração londrina e bristolense
Em um movimento que parece vir de fora do Norte, a cena do Soul Norte em Londres e Bristol está liderada por jovens que danzan freneticamente a velozes e obscuras músicas soul americanas, revelando uma pergunta intrigante: quando o Soul Norte se tornou tão sulista?

O ressurgimento de uma lenda
A cena do Soul Norte começou como um movimento underground de Música e dança nos anos 70, como uma forma de escapismo para jovens em pequenas cidades industriais do Norte da Inglaterra. Com vestimentas bagunçadas, camisas de bowling e calças largas, entusiastas tinham uma devoção espiritual ao dançar à meia-noite com Música soul americana rápida e intensa, muitas vezes ajudados por drogas como a cocaína.
Já não é assim. A cena atual é muito mais jovem e cosmopolita. No lugar de clube de trabalho e salões de dança, os principais eventos são em espaços como o Rivoli Ballroom em Londres e o street art de Bristol. E os organizadores não vêm mais do Norte, mas sim da região sul, como Aaron Alexander Reed, o fundador do Burnin Up Soul Club em Manchester e Londres.
Reed admite que seu público-alvo são estudantes jovens em bairros como Fallowfield. E ele não é o único. Outros clubes, como o Deptford Northern Soul Club em Londres e o Bristol Northern Soul Club, também estão dirigidos para uma audiência mais jovem e diversa.
Isso levanta uma questão sobre a herança trabalhista do Soul Norte. O movimento começou como uma expressão cultural de classe trabalhadora, mas agora parece se perder em um mar de consumo de massa. Ou talvez isso seja uma lição sobre a natureza do entretenimento popular, que sempre busca renovar-se e evoluir.
Para Tom, um jovem de 24 anos de Salford que descobriu o Soul Norte por acaso, a resposta é simples: o que importa é a dança e a Música, não a origem geográfica.
