Caçada a ex-guerrilheiro: chile oferece recompensa milionária

O governo chileno elevou a pressão na busca por Galvarino Sergio Apablaza Guerra, ex-líder do Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR), ao oficializar uma recompensa de 20 milhões de pesos chilenos (cerca de 25 mil dólares) por informações que levem à sua captura e extradição. A medida, publicada no Boletim Oficial nesta madrugada, intensifica a caçada a um dos nomes mais controversos da história recente do país.

A fuga e a extradição pendente

Apablaza, que vivia em Moreno, na Argentina, é procurado por Chile há anos, acusado de crimes graves ligados ao terrorismo, incluindo o assassinato do senador Jaime Guzmán em 1991 e o sequestro de Cristián Edwards, filho do influente empresário Agustín Edwards, proprietário do jornal El Mercurio. A ordem de captura e extradição, formalmente solicitada pelas autoridades judiciais chilenas, enfrentou obstáculos no passado, quando o status de refugiado político lhe foi concedido, decisão posteriormente revertida.

A recente visita do presidente José Antonio Kast ao seu colega Javier Milei sinaliza o aumento da pressão diplomática e a determinação dos governos de ambos os países em garantir a extradição do ex-guerrilheiro. Claudio Alvarado, ministro chileno do Interior e Segurança Pública, enfatizou a importância da cooperação argentina na busca, solicitando os “maiores esforços” para localizar Apablaza.

O passado conturbado e a defesa em argentina

O passado conturbado e a defesa em argentina

A história de Apablaza é marcada por idas e vindas com a justiça argentina. Já havia sido detido em 2004 sob o falso nome de Héctor Daniel Mondaca, permanecendo preso por sete meses antes de ser libertado sob fiança e, posteriormente, buscar asilo. Seu advogado, Rodolfo Llanzón, insiste na validade do status de refugiado, argumentando que Apablaza foi vítima de torturas durante a ditadura de Pinochet e nos anos seguintes. Llanzón questiona a legalidade da busca, alegando que a proteção internacional é um direito fundamental.

A cifra fala por si só: a recompensa milionária demonstra a prioridade que o governo chileno atribui à captura de Apablaza, sinalizando uma escalada na busca por justiça e o fechamento de um capítulo doloroso na história do país. A linha gratuita 134 do Programa de Recompensas aguarda informações que possam levar ao paradeiro do ex-guerrilheiro, em um caso que reacende debates sobre terrorismo, direitos humanos e a complexa relação entre Chile e Argentina.