Crise no gabinete: ministro pede renúncia por empréstimo habitacional
A gestão de Sandra Pettovello no Ministério do Capital Humano enfrenta uma turbulência inesperada. A demissão de Leandro Massaccesi, ex-chefe de gabinete, expôs uma teia de empréstimos habitacionais no Banco Nación que agora lança uma sombra sobre o governo libertário. A notícia, que explodiu em redes sociais, revela um padrão preocupante: diversos membros da administração Milei teriam recorrido ao banco estatal para adquirir imóveis, levantando questões sobre favorecimento e conflito de interesses.
O tuit que desencadeou a tempestade
A gota d'água foi um tuíte que vazou informações sobre o pedido de crédito de Massaccesi, filho do ex-governador Horácio Massaccesi. A ministra, visivelmente incomodada, solicitou a renúncia do seu braço direito na noite de quinta-feira, buscando, como declarou em comunicado interno, “deslocá-lo preventivamente, em virtude do perfil baixo que o Ministério almeja em matéria de escândalos”. A medida, embora rápida, demonstra a sensibilidade do governo diante das críticas.

Massaccesi se defende: “não vim à política para me servir”
Em uma extensa defesa publicada em sua conta no X (antigo Twitter), Leandro Massaccesi negou veementemente qualquer irregularidade. “Aclaro que não cometi nenhum ato ajeno à lei. Não vim à Política para me servir dela”, declarou, refutando as acusações. Massaccesi ressaltou que o empréstimo foi solicitado de forma transparente, através da plataforma online do Banco Nación, e que se enquadra na categoria de crédito destinado à classe média, especialmente para a compra da primeira casa. Ele argumenta que o acesso de funcionários públicos a essas ferramentas, desde que cumpridas as normas legais, não configura ilícito, mas sim um reflexo de transparência.

Um crítico panorama de empréstimos no governo
A controvérsia envolvendo Massaccesi é apenas a ponta do iceberg. Uma investigação da plataforma “Quanto devem?”, liderada por Andrés Snitcofsky, revelou que pelo menos nove funcionários e legisladores ligados ao governo Milei obtiveram empréstimos hipotecários no Banco Nación, totalizando mais de 2,5 bilhões de pesos argentinos (aproximadamente US$ 2 milhões). Nomes como Felipe Núñez, diretor do Banco de Inversão e Comércio Exterior, e Federico Furiase, ex-diretor do Banco Central, figuram na lista, com dívidas que ultrapassam os 373 milhões de pesos. A coincidência de altos cargos governamentais se beneficiando do programa de crédito habitacional, projetado para a classe média, levanta sérias questões sobre a igualdade de acesso e a ética na gestão pública.
O legado da crise: uma aposta no silêncio?
A ministra Sandra Pettovello, embora tenha evitado declarações públicas extensas, teria solicitado a saída de Massaccesi com o objetivo de “despejar qualquer suspeita” sobre o Ministério. A estratégia, aparentemente, é minimizar os danos e evitar um desgaste maior da imagem do governo. Contudo, a questão central permanece: a transparência e a equidade no acesso a recursos públicos são pilares fundamentais de qualquer administração. O silêncio, nesse caso, pode ser mais ensurdecedor do que as palavras.